3 de dez de 2008

Apiwtxa inaugura o blog Saberes da Floresta



Queridos Amigos,

Na data de hoje estamos, com muita alegria, inaugurando o blog Saberes da Floresta, do Centro Yorenka Ãtame Saberes da Floresta.

Nosso objetivo é o de tornar acessível, a todos, todas as informações geradas pela Apiwtxa especificamente sobre o nosso trabalho no Centro de Formação Saberes da Floresta Yorenka Ãtame.

Por favor, considerem os posts anteriores a este como a memória do que geramos até aqui.

Desejamos que esta seja mais uma ferramenta de proteção da floresta, dos povos indígenas, populações e conhecimentos tradicionais ligados à ela.

Abraços,
Benki Piyãko
Coordenador do Centro Saberes da Floresta Yorenka Ãtame

15 de nov de 2008

Yorenka Ãtame Ashaninkas

Veja aqui o filme Yorenka Ãtame Ashaninkas, realizado pela Rede Povos da Floresta, com roteiro e direção de Stefania Fernandes e imagens de Bebito Ashaninka.

26 de set de 2008

Galeria de fotos


Caros amigos,

Aqui vão algumas fotos dos trabalhos desenvolvidos no Centro Yorenka Ãtame para que vocês tenham conhecimento do que estamos fazendo com os jovens indígenas e não indígenas do Município de Marechal Thaumaturgo.

Um abraço a todos, Benki Piyãko

Centro Yorenka Ãtame

25 de set de 2008

Apoio ao Projeto Escola Ashaninka Yorenka Ãtame

por Brasilien Magazin e.V.

A organização sem fins lucrativos Brasilien Magazin colabora com vários projetos beneficentes e culturais.

Foto Brasilien Magazin e.V.
Debate sobre os problemas de desmatamento na Amazônia com o líder Ashaninka Moisés Piyãko e uma funcionária do Greenpeace

Através da visita do líder Ashaninka Moisés Piyako à Alemanha, a convite do Brasilien Magazin e.V., surgiu o desejo de apoiar o projeto escola do povo Ashaninka chamado Yorenka Ãtame, um centro de formação, educação e difusão de práticas de manejo sustentável dos recursos naturais da região do Alto Juruá voltado para indígenas e não-indígenas.

Foto Brasilien Magazin e.V.
Equipe do Brasilien Magazin com o líder Ashaninka Moisés Piyãko

Desde 2006 o Brasilien Magazin e.V. busca parceiros na Alemanha para ajudar os Ashaninka a continuar o seu trabalho, preservando seus conhecimentos tradicionais, fortalecendo e ampliando sua luta para a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável da região do Alto-Juruá, uma das regiões mais ricas em biodiversidade do planeta.

Saiba mais AQUI.

11 de set de 2008

Funbio apóia Yorenka Ãtame

Índios e extrativistas trocam saberes da floresta no Acre

Programa Arpa apóia iniciativa no entorno do Parque Nacional da Serra do Divisor.*













Módulo sobre meliponicultura aconteceu em agosto

Os conhecimentos e a experiência dos índios Ashaninka no manejo sustentável da floresta podem criar uma nova perspectiva para as comunidades não-indígenas do entorno do Parque Nacional da Serra do Divisor. Extrativistas da Resex do Alto Juruá, localizados às margens do Rio Amônia, são os principais beneficiários do Projeto Implantação de Sistemas Agroflorestais (Safs) e Manejo da Meliponicultura, coordenado por Benki Piyanko, liderança indígena da Comunidade Apiwtxa do Rio Amônia, e Sheyla Sant’Anna, gestora técnica e parceira da comunidade. Apoiado pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), por intermédio do Funbio, o projeto é uma das atividades do Centro Yorenka Ãtame, iniciativa cultural e pedagógica inédita dos Ashaninka para levar seus conhecimentos para além dos limites da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia.

Por meio da realização de cursos, o Centro Yorenka Ãtame, localizado no município de Marechal Thaumaturgo, promove a troca de saberes índios e não-índios, e neste projeto valoriza a implantação de sistemas agroflorestais e a produção de mel com abelhas nativas como opções mais saudáveis e sustentáveis para a manutenção das comunidades e da floresta. Os cursistas recebem casa, alimentação, pouquíssimas aulas teóricas e muitas práticas, e ainda podem visitar a aldeia Ashaninka para ver o que já está dando certo: fartura de comida nas casas, crianças saudáveis, cestos cheios de alimentos e caixas de abelhas espalhadas pelos quintais. A criação de abelhas nativas é um dos principais módulos do curso porque elas aumentam a polinização e trazem alimento suplementar à dieta das famílias.












Nina Kahn, do Funbio, acompanha atividade no Centro

O apoio do Arpa para o projeto, iniciado em julho de 2008 e com previsão de término no início de 2010, está vinculado ao subcomponente Participação Comunitária, que incentiva o fortalecimento das populações vizinhas às unidades de conservação de proteção integral apoiadas pelo programa. No caso do Parque Nacional da Serra do Divisor, o projeto tem como objetivo principal mostrar às famílias não-indígenas desalojadas pela criação do parque uma alternativa à derrubada de floresta no assentamento criado para recebê-las às margens do Rio Amônia. O desmatamento é incentivado pelo Incra, por meio de crédito, sendo considerado benfeitoria no processo de titulação definitiva das terras.

O projeto é realizado em sintonia com as atividades da Comissão Pró-Índio (CPI-AC), que também está recebendo apoio do Arpa dentro do subcomponente de participação comunitária. Alguns módulos de formação oferecidos pela CPI vão ocorrer no Centro Yorenka Ãtame e os Ashaninka poderão incluir seus bolsistas e alunos nessas capacitações. Essa ONG acreana foi pioneira no trabalho de formação de agentes agroflorestais indígenas e certamente plantou a semente do empreendedorismo entre os Ashaninka.

Mais sobre o Centro Yorenka Ãtame

Criado há um ano e meio, o Centro Yorenka Ãtame foi idealizado por sete irmãos para realizar um sonho do avô, Samuel Piyanko: promover a união de índios e brancos para perpetuar a principal fonte de abastecimento de suas famílias e vizinhos – a floresta viva, em pé.

O início dos trabalhos se deu em 2007, com a capacitação de jovens índios e não-índios (ainda em curso), e contou com financiamento da empresa Neutralize, voltada para projetos de neutralização de carbono. Índios Ashaninka do Peru, da Comunidade Tamaya, são presença nas capacitações. Todos os jovens, homens e mulheres, sejam índios ou não, recebem bolsas para trabalhar e aprender no Centro, que foi construído em uma área de pasto que está sendo totalmente reflorestada.

Fotos: Nina Kahn e Sheyla Sant'Anna
















Dona Maritô, da Resex do Alto Juruá, participa de capacitação

Os Ashaninka já trabalharam com madeira e caucho e convivem há cinco gerações com a população de não-índios, hoje ocupantes da Reserva Extrativista do Alto Juruá. Eles vêm observando as alterações aceleradas na paisagem que circunda suas terras, causadas, sobretudo pela conversão da floresta em pastagens. Foi este contexto que motivou as lideranças da comunidade a instalar o Centro Yorenka Ãtame, em Marechal Thaumaturgo, a referência urbana mais próxima das unidades de conservação da região. Construído na outra margem do rio Juruá, onde se localiza a cidade.

Na aldeia, os Ashaninka criam peixes e tracajás em açudes que já estão com capacidade de produção para extrativismo. Além disso, estão redefinindo uma área de criação de jabutis, já que a anterior foi destruída por uma imensa inundação, ocorrida este ano, que causou muitos prejuízos aos ribeirinhos amazônicos de modo geral. A formação de açudes para essa finalidade também está na agenda do Centro Yorenka Ãtame, que já tem seu viveiro em formação.

Outra inovação do Centro foi sua inserção na era digital, realizada por meio da Rede Povos da Floresta, iniciativa de uma Ong carioca, a Associação de Cultura e Meio Ambiente, e viabilizada com o apoio dos ministérios das Comunicações, da Cultura e do Meio Ambiente. Hoje eles possuem antenas parabólicas instaladas e computadores que permitem a comunicação entre as comunidades da floresta e um constante trabalho de denúncia contra a ação de madeireiras peruanas na região. São nove pontos de internet no Alto Juruá.

* Funbio Informa, 11/09/2008.
Colaboraram Marina Kahn (Funbio) e Sheyla e Sant’Anna (Associação Apiwtxa)

Leia mais sobre o Centro Yorenka Ãtame, aqui:
- Escola Saberes da Floresta Yorenka Ãtame
- A história do Yorenka Ãtame

8 de jun de 2008

Ashaninka ensina a trabalhar a floresta


por Kaxiana*

Foto: Romerito Aquino
Benki Piyãko é uma liderança do povo Ashaninka










Um povo guardião da floresta que luta pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia e contra a invasão constante de madeireiras peruanas para não destruir os ecossistemas florestais de uma das regiões de maior biodiversidade do planeta.

Assim são os índios Ashaninka, que vivem na Terra Indígena Kampa, situada ao longo do rio Amônia, no município de Marechal Thaumaturgo, no extremo oeste do Acre, fazendo fronteiras com o Peru, o Parque Nacional da Serra do Divisor, a Reserva Extrativista do Juruá e um assentamento do Acre.

De passagem recente por Brasília, o índio Benki Piyãko, uma das lideranças Ashaninka advertiu mais uma vez às autoridades brasileiras que seu povo já não suporta mais conviver com as constantes invasões de madereiros e traficantes peruanos, que destroem a rica biodiversidade da região e roubam madeiras valiosas que depois são exportadas pela cidade peruana de Pucalpa para o mercado internacional. Piyâko prometeu mais uma vez que, diante da ausência do estado brasileiro naquela fronteira totalmente desguarnecida, os índios vão resolver eles mesmos a questão da invasão. Ou seja, o conflito armado entre os índios e os invasores continua iminente.

A Kaxiana publica, abaixo, um artigo do próprio Benki Piyãko falando da luta de seu povo para preservar a integridade e a biodiversidade da floresta e do recém criado Centro de Formação Yorenka Ãtame – Saber da Floresta. Situado numa área de 86 hectares em frente à cidade de Marechal Thaumaturgo, o centro Yorenka se destina à formação, educação, intercâmbio e difusão de práticas de manejo sustentável dos recursos naturais da região do Alto Juruá. Leia, a seguir, o artigo de Benki, publicado originalmente no blog do Ashaninka, editado pela Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa).


Benki e a pajé Putani (Yawanawá) com assessores do senador Tião Viana (PT-AC)






* Kaxiana, Agência de Notícias da Amazônia, 12/10/2007

1 de jun de 2008

Fundação France Libertés celebra parceria com Rede Povos da Floresta

por Stefania Fernandes*


Milton Nascimento, Benki Ashaninka e Danielle Mitterrand

A Rede Povos da Floresta inaugurou sede no Rio de Janeiro e a festa também celebrou a criação da Fundação France Libertés – Danielle Mitterrand no Brasil.

Fotos Ipojucan Ludwig
Benki Ashaninka, Milton Nascimento e Ailton Krenak

A France Libertés trabalha no Brasil desde o ano de sua criação, em 1986, e desde então a Fundação presidida por Danielle Mitterrand tem aprofundado suas relações com o nosso país.

No último dia 20, a Fundação France Libertés se aproximou ainda mais de nosso povo, pois comemorou a criação de uma sede no Rio de Janeiro em parceria com a Rede Povos da Floresta. As duas entidades já têm endereço numa bela casa localizada no bairro do Horto.

O jantar contou com a presença de Danielle Mitterrand, João Augusto Fortes e lideranças indígenas como Aílton Krenak e Benki Ashaninka. Outros amigos estiveram presentes, entre eles os músicos Milton Nascimento e Paulo Jobim.

A Fundação France Libertés – Danielle Mitterrand tem um histórico de vinte anos de trabalho para o desenvolvimento social e humano, através de projetos que constroem alternativas nas áreas econômica, social e solidária.

Ela apóia projetos de desenvolvimento econômico e social e contribui para que as populações desfavorecidas possam não somente receber, mas participar na construção de sua cidadania.

* Stefania Fernandes, Rede Povos da Floresta, 01/06/2008

5 de mai de 2008

Aldeia Ashaninka

Ministro Gilberto Gil visita terras indígenas no município de Marechal Thaumaturgo (AC)

por Patrícia Saldanha*

Foto Comunicação Social/MinC










Rio Amônia correnteza acima, em direção à fronteira com o Peru, numa pequena embarcação de madeira, no município de Marechal Thaumaturgo (AC), o primeiro ministro de Estado brasileiro a pisar em terras indígenas Ashaninka, Gilberto Gil, pôde vivenciar in loco a diversidade da Cultura dos diferentes povos que compõem o país. A visita, realizada entre os dias 1º e 2 de maio, encerrou a viagem de uma semana que a comitiva do Ministério da Cultura (MinC) fez a três estados da Região Norte.

O ministro visitou a área indígena Ashaninka acompanhado dos secretários de Incentivo e Fomento à Cultura (Sefic/MinC), Roberto Nascimento, e de Programas e Projetos Culturais (SPPC/MinC), Célio Turino, além de gerentes e assessores. Os contrastes foram se esboçando já no caminho de ida. Ao atravessar o assentamento do Incra no rio Amônia, alguns quilômentros antes de chegar à área indígena, o ministro pôde observar o impacto que a última cheia do mês de janeiro causou às margens desmatadas do rio, em oposição à floresta intacta que margeia o Amônia, na reserva Ashaninka.

Foto Comunicação Social/MinC










Em conversa com os líderes que o receberam, Gil utilizou metáforas sobre a harmonia e desarmonia existentes na natureza, para destacar a importância de as comunidades autóctones do Brasil buscarem uma postura de mais integração e menos resistência, de maior intercâmbio cultural com a sociedade brasileira. “É preciso que o ideal da vida prevaleça sobre o ideal da luta”, disse. O ministro da Cultura reforçou a importância dos Pontos de Cultura indígenas usufruírem da tecnologia digital e audiovisual na preservação e divulgação de suas culturas. Também ressaltou a necessidade de se fazer uso consciente desses recursos, com avaliação constante pela própria comunidade dos danos e benefícios advindos dessas tecnologias.

Ponto de Cultura

Gilberto Gil visitou o Centro de Formação Yorenka Ãtame - Saberes da Floresta para conhecer os trabalhos que vêm sendo desenvolvidos pelo Ponto de Cultura da Associação Ashaninka do Rio Amônia, vinculada ao Programa Cultura Viva, da SPPC/MinC. Coordenado pela liderança Ashaninka, Benki Piãko, o Centro ensina a jovens índios e não-índios como realizar o manejo sustentável da floresta, sem causar danos ao meio-ambiente. “O Yorenka Ãtame foi criado pela necessidade de comunicação com a comunidade envolvente e para discutirmos os problemas que enfrentamos com a invasão de nossas terras”, comentou Piãko.

Hoje, o centro indígena tem uma dimensão maior, além de trabalhar com jovens e crianças da localidade, articula os demais povos nativos do Alto Juruá, na luta pela preservação da identidade cultural e pelo resgate dos saberes dos antepassados. Lideranças de outros três povos da região foram recepcionar o ministro Gil, na aldeia Apiwtxa. O exemplo da organização e do orgulho de ser indígena, do povo Ashaninka, tem influenciado as demais etnias aborígines do Rio Amônia. Índios que moram dispersos nas margens do rio e chamam a si próprios de caboclos, manifestaram ao ministro, o desejo de serem novamente reconhecidos como índios e se reagruparem em aldeias.

A liderança Francisco Ashaninka, secretário de Assuntos Indígenas do Governo do Acre, formalizou ao ministro Gil e ao secretário Célio Turino, o pedido para transformar o Centro Yorenka Ãtame em Pontão da Cultura dos Povos Indígenas. Ele disse que a solicitação visa reforçar a articulação com os demais povos da região e ampliar os trabalhos de conscientização dos colonos e ribeirinhos sobre a necessidade de preservar o meio-ambiente e diminuir os danos causados à floresta, pelo desmatamento.

Confraternização na Aldeia

As nuvens esconderam o céu da floresta durante toda à noite e uma chuva esparsa impediu os anfitriões de realizarem a programação cultural de cânticos e danças que haviam planejado. A alternativa foi a mostra de slides e vídeos feitos com apoio da Organização Não Governamental (ONG) Vídeo nas Aldeias, sobre as realizações da comunidade. Homenageado com uma cantiga indígena pelo cacique Antônio Ashaninka, o ministro retribuiu com a apresentação de uma música de sua autoria, o Cordel da Banda Larga.

* Patrícia Saldanha, Comunicação Social/MinC, 05/05/2008

30 de abr de 2008

Ministro da Cultura Gilberto Gil visita a Escola Yorenka Ãtame Saberes da Floresta e a Comunidade Apiwtxa

Arquivo pessoal













Nesta semana, entre os dias 28 de abril e 2 de maio, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, vai aos estados do Amapá, Roraima e Acre para lançar programas e projetos para o fortalecimento das atividades culturais na Região Norte.

No Acre e no Amapá, irá assinar acordos de cooperação do Programa Mais Cultura com os governos dos estados, anunciar projetos culturais e conhecer ações de Pontos de Cultura, comunidades indígenas e quilombolas. Já em Roraima, vai lançar, em parceria com o Banco da Amazônia, o Programa Amazônia Mais Cultura, com linhas de crédito, microcrédito e patrocínio para atividades culturais de toda a região.

Esse pacote de medidas é uma das estratégias do Ministério da Cultura para ampliar o apoio e os investimentos do Governo Federal nos estados do Norte. A partir da política de descentralização orientada pelo MinC, nos últimos cinco anos, os investimentos na região aumentaram 13 vezes - de R$ 2,4 milhões, em 2003, para R$ 31 milhões, em 2007.

“Historicamente, o Estado brasileiro investia pouco na Região Norte. Por um lado, isso se devia aos governos, mas por outro, era conseqüência da demanda ainda incipiente da própria região, que enviava poucos projetos ao MinC”, explica o ministro Gilberto Gil. “Nesses cinco anos, já conseguimos mudar parte desse quadro, agora queremos multiplicar esses avanços. Por isso, além do Programa Mais Cultura, que vai unir esforços das três esferas de governo e da sociedade civil para fortalecer o desenvolvimento cultural da região, também faremos nesse ano uma série de oficinas para que cidadãos e produtores do Norte possam se capacitar na elaboração, produção, captação e gestão de projetos culturais”, completa.

AGENDA

No dia 1º de maio, o ministro da Cultura segue para Marechal Thaumaturgo (AC), onde conhecerá a Escola Yorenka Ãtame - Saber da Floresta, iniciativa desenvolvida pela comunidade indígena da Reserva Ashaninka, que funciona como espaço de formação, educação, intercâmbio e difusão de práticas de manejo sustentável dos recursos naturais da região do Alto Juruá. Na ocasião, ele anunciará parceria com a Rede de Povos da Floresta, organização da sociedade civil que desenvolve ações de inclusão digital, de preservação ambiental e defesa dos povos tradicionais em cerca de 200 comunidades.

A parceria prevê o lançamento de 80 prêmios no valor de R$ 15 mil, cada um, para Povos da Floresta e Culturas Tradicionais. A idéia é apoiar comunidades que ainda não têm estrutura para se tornar Pontos de Cultura, disponibilizando recursos para o desenvolvimento de suas ações culturais. O projeto está em fase de elaboração e deve ser lançado ainda no segundo semestre deste ano.

Na tarde do dia 1º de maio, o ministro Gil vai visitar o Ponto de Cultura Associação Ashaninka do Rio Amônia, na comunidade indígena Apiwtxa. A comunidade fica a aproximadamente 80Km de Marechal Thaumaturgo e 350km de Cruzeiro do Sul, nas proximidades do limite com a Reserva Extrativista do Alto Juruá e o assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Demarcada em 1992 pela Fundação Nacional do Índio (Funai), a aldeia abriga 400 habitantes, o que representa cerca de 80% dos ashaninkas brasileiros. No dia 2 de maio, encerra sua missão oficial na Região Norte, retornando ao Rio de Janeiro.

SAIBA MAIS:

Cultura no Norte
Ministro da Cultura viaja a estados da região para lançar pacote de medidas para o desenvolvimento de ações culturais
, Publicado por Comunicação Social/MinC, 28/04/2008

Ministro da Cultura chega nesta quarta-feira a Rio Branco, Publicado por Agência de Notícias do Acre, com informações da Assessoria do MinC, 29/04/2008

5 de mar de 2008

Resgate de tradições

por Stefania Fernandes*

Foto Rede Povos da Floresta














O Secretário de Incentivo e Fomento a Cultura do Ministério da Cultura Roberto Nascimento visitou o Centro Yorenka Ãtame, em Marechal Thaumaturgo , Acre, e seguiu até a Aldeia do Ashaninkas, no Alto Juruá. A visita resultou numa série de possibilidades de trabalho com o MinC.

Rede Povos da Floresta - Roberto, como foi sua experiência durante essa visita?

Roberto Nascimento - Foi um encontro extremamente auspicioso porque efetivamente estavam as principais lideranças reunidas e o que tentei fazer foi sistematizar o que havia de frentes de trabalho a serem atendidas a partir das demandas que foram apresentadas ao longo dos dias de convivência.

Rede - O que envolve a gestão do GT transfronteiriço?

Nascimento - Envolve exatamente uma aproximação dos Ashaninkas brasileiros dos Ashaninkas peruanos para fazer um trabalho de resgate da tradição Ashaninka já perdida - mais perdida do lado peruano que do lado brasileiro - o que é extremamente importante para o Ministério. O Ministério tem uma linha de atuação no sentido de valorizar a diversidade cultural e, principalmente com relação a essa possibilidade, de que a partir do território brasileiro se recupere e eventualmente se sistematize toda essa tradição cultural de uma mesma nação que está fragmentada por razões geopolíticas e não obviamente naturais, enfim, a cultura não reconhece esses limites fronteiriços.

Tem a questão do projeto Rede Povos da Floresta que já acompanho há bastante tempo. Além da importância da valorização da diversidade cultural pelas comunidades, a Rede Povos da Floresta possibilita a troca de informações, de tecnologias culturais, ambientais, saberes e fazeres dos povos que a integram.

Outra frente de trabalho é o Centro Yorenka Ãtame, que me surpreendeu porque eles têm uma infra-estrutura maravilhosa, preparado para se tornar além de um centro de informação, discussão, capacitação ambiental, um centro de difusão de cultura nos seus vários segmentos possíveis. O povo Ashaninka já tem uma tradição de manuseio de tecnologias áudio visuais, de produção de áudio visual, inclusive premiados, então ali pode se tornar um centro cultural que contemple várias outras dimensões de cultura como oficinas de música, produção de instrumentos, espaço para leitura com uma biblioteca mais estruturada, com maior número de títulos para oferecer, oficinas de dança, de teatro, de artesanato, enfim, tem um potencial realmente imenso. E não seria um foco exclusivamente para as populações indígenas. Está situado numa cidade com baixa oferta de equipamentos culturais, que é Marechal Thaumaturgo, com uma população jovem significativa que não tem oferta de lazer e cultura a partir dos seus equipamentos urbanos, então cria uma situação inusitada que é uma associação indígena que se aproxima de um centro de população branca, mas que pode estar sendo ofertante desses equipamentos e atividades culturais inclusive que pode pressupor um plano anual, um centro cultural dinâmico, com programação dinâmica ativa, atualizada. Já coloquei a disposição o programa que é a Programadora Brasil. No próprio site do Ministério (www.cultura.gov.br) é possível encontrar todas as formas de apoio financeiro ou de infra-estrutura que se pode oferecer para esse tipo de iniciativa, para realizar exibições em cine clube, em praças públicas para difundir essa produção áudio visual brasileira.

Rede - E como foi a sua experiência, pessoalmente?

Nascimento - Foi fantástica, nunca tinha tido essa experiência de estar realmente convivendo... esse conviver é no sentindo mais pleno mesmo, foi uma acolhida surpreendente, um povo extremamente hospitaleiro que sabe receber, que recebe de coração aberto, com portas abertas em todas as suas casas , enfim houve uma mobilização de comunidade para nos acolher, nos receber, nos deixar á vontade pra transitar e conversar com todas as pessoas. O Ministério já vem desde o ano passado identificando a necessidade de colocar a região norte do país como sendo uma região prioritária para a destinação das suas ações e está fazendo esforços para se aproximar dessa região, dos administradores e gestores locais.

* Stefania Fernandes, Rede Povos da Floresta, 05/03/2008

Aprendizado compartilhado

por Stefania Fernandes*

Foto Rede Povos da Floresta













Secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura Alfredo Manevy visitou os Ashaninka, no Acre, durante os dias do carnaval. Ele teve a oportunidade de conhecer o Centro Yorenka Ãtame, em Marechal Thaumaturgo , e de estar na Aldeia dos Ashaninka, no Alto Juruá.

Rede Povos da Floresta - Essa iniciativa estreitou a relação do Ministério da Cultura com a Rede Povos da Floresta e com a Comunidade Ashaninka do Rio Amônea. Alfredo, como foi a sua visita?

Alfredo Manevy - Foi uma experiência transformadora em todos os sentidos. O Ministério da Cultura vem desenvolvendo uma política estratégica para as culturas indígenas e ela tem sido uma das agendas mais importantes do MinC nos últimos anos. Até 2003 o MinC não tratava culturas indígenas como parte da formação brasileira, da formação da nossa sociedade, e a gente vem tentando mudar radicalmente como o MinC dialoga com essas culturas, reconhece, dá apoio, busca incorporá-las em projetos estratégicos de desenvolvimento. Do fato de ter vindo para cá e conviver na aldeia Apiwtxa, com os Ashaninka e com o Projeto Rede Povos da Floresta, surge um conjunto de possibilidades muito interessantes de relações de projetos que a gente pode vir a desenvolver.

Rede - Quais são as possibilidades de trabalho com os Ashaninka?

Manevy - A Aldeia Apiutxa já tem um Ponto de Cultura que é um dos projetos mais importantes do Ministério da Cultura, um dos mais inovadores, que significa dar todo apoio para uma comunidade, desenvolver seu projeto cultural, desenvolver sua ação de memória, biblioteca, oficina, mestres do saber, ação e proteção de língua. O que a comunidade quiser fazer é ela que vai determinar, não é o Ministério. O Ponto de Cultura tem isso como fundamento, é a comunidade que diz o que é cultura, como é o seu plano de ação e o MiniC dá seu apoio material com instrumentos e meios, tecnologia, para que a comunidade possa desenvolver plenamente o que ela quer. No caso da Apiutxa, essa comunidade maravilhosa dos Ashaninka, maravilhosa porque é uma comunidade cultural, política, tradicional, que tem um projeto extraordinário para sua região, esse Ponto de Cultura vai ser certamente uma ferramenta a mais que eles vão ter pra desenvolver esse potencial todo.

Isso já existe e eu vejo que essa vinda para cá aponta em outras direções interessantes como, por exemplo, o Centro Yorenka Ãtame, que é um centro cultural que está construído e precisa de conteúdo, de cine clube, de capacitação, de apoio e a gente está pensando também num Ponto de Cultura para dar força para essa comunidade se desenvolver. A proposta deles é formar lideranças, líderes para o reflorestamento na região amazônica e outras regiões do Brasil, então a gente pode entrar também aí. Alguns vão perguntar, mas por que o Ministério da Cultura está entrando num projeto de reflorestamento. Isso é cultura? Na visão do MinC hoje, isso é cultura, não só as expressões artísticas, que são muitas as que estão ali em jogo, são parte da nossa cultura, mas certamente uma visão sócio-ambiental, de identidade daquela população. O meio ambiente está totalmente interligado aos saberes e valores daquelas pessoas, aos cidadãos que ali vivem, então essa integração a gente apóia, tem que dar todo apoio, o Ministério quer fortalecer.

Rede - E como pessoa, como foi a sua experiência?

Manevy - Foi maravilhoso. Posso dizer que esses quatro dias certamente me ensinaram muito, aprendi muito com os pajés, com os Ashaninka, com o Acre, com essa população maravilhosa, com esse projeto que está se desenvolvendo aqui há muitos anos. Tem uma energia muito positiva em tudo o que está acontecendo aqui no plano cultural, político, estético, saio enriquecido tanto institucionalmente como pessoalmente, e vou tentar levar essa energia para Brasília, para o ministério, para as pessoas que trabalham com a gente, para agitar todos esses programas, esses projetos tão importantes.

Rede - Me impressionou ver como eles são tão organizados. É impressionante, não é?

Manevy - Sim. Também me impressionou a forma como eles estão organizados, como eles têm um planejamento estratégico que é uma coisa muito difícil, até para instituições que tem todos os recursos, todos os meios, você planejar para 10 anos, 15 anos, é uma coisa muito difícil, que exige muita visão, sabedoria, capacidade de integração, de superação, de visões compartimentadas da realidade. Acho que até pela natureza da cultura dos Ashaninka, talvez essa visão holística que eles têm da natureza, da vida humana, talvez facilite a eles compreenderem que esse planejamento de longo prazo é a grande questão, de como eles vão conseguir criar uma tecnologia de longo prazo para produzir riqueza, distribuir riqueza entre eles, gerar bem estar naquela comunidade sem mudar o modo de vida deles, que é o grande desafio, como produzir riqueza econômica sem que isso altere seu modo de vida. Eles estão conseguindo fazer isso e acho que a replicagem disto no Brasil e no mundo, é algo que já se nota, essa semeadura já está se dando.

O que a gente conseguir tirar de replicagem dessa experiência vai ser um grande ganho para esse Brasil que está nascendo, se refazendo. Essa experiência deles aponta para uma visão de Brasil muito especial, um Brasil com a Amazônia no seu centro, uma floresta não como uso, mas como fim. As pessoas como patrimônio, não como meio, não como mercadoria, não como estoque para alguma coisa. Ali tem uma visão realmente que não é anti algo, ela é a favor de várias coisas, ela aponta em muitas direções e espero que esse conhecimento, esse aprendizado possa ser compartilhado.

* Stefania Fernandes, Rede Povos da Floresta, 05/03/2008