5 de mar de 2008

Resgate de tradições

por Stefania Fernandes*

Foto Rede Povos da Floresta














O Secretário de Incentivo e Fomento a Cultura do Ministério da Cultura Roberto Nascimento visitou o Centro Yorenka Ãtame, em Marechal Thaumaturgo , Acre, e seguiu até a Aldeia do Ashaninkas, no Alto Juruá. A visita resultou numa série de possibilidades de trabalho com o MinC.

Rede Povos da Floresta - Roberto, como foi sua experiência durante essa visita?

Roberto Nascimento - Foi um encontro extremamente auspicioso porque efetivamente estavam as principais lideranças reunidas e o que tentei fazer foi sistematizar o que havia de frentes de trabalho a serem atendidas a partir das demandas que foram apresentadas ao longo dos dias de convivência.

Rede - O que envolve a gestão do GT transfronteiriço?

Nascimento - Envolve exatamente uma aproximação dos Ashaninkas brasileiros dos Ashaninkas peruanos para fazer um trabalho de resgate da tradição Ashaninka já perdida - mais perdida do lado peruano que do lado brasileiro - o que é extremamente importante para o Ministério. O Ministério tem uma linha de atuação no sentido de valorizar a diversidade cultural e, principalmente com relação a essa possibilidade, de que a partir do território brasileiro se recupere e eventualmente se sistematize toda essa tradição cultural de uma mesma nação que está fragmentada por razões geopolíticas e não obviamente naturais, enfim, a cultura não reconhece esses limites fronteiriços.

Tem a questão do projeto Rede Povos da Floresta que já acompanho há bastante tempo. Além da importância da valorização da diversidade cultural pelas comunidades, a Rede Povos da Floresta possibilita a troca de informações, de tecnologias culturais, ambientais, saberes e fazeres dos povos que a integram.

Outra frente de trabalho é o Centro Yorenka Ãtame, que me surpreendeu porque eles têm uma infra-estrutura maravilhosa, preparado para se tornar além de um centro de informação, discussão, capacitação ambiental, um centro de difusão de cultura nos seus vários segmentos possíveis. O povo Ashaninka já tem uma tradição de manuseio de tecnologias áudio visuais, de produção de áudio visual, inclusive premiados, então ali pode se tornar um centro cultural que contemple várias outras dimensões de cultura como oficinas de música, produção de instrumentos, espaço para leitura com uma biblioteca mais estruturada, com maior número de títulos para oferecer, oficinas de dança, de teatro, de artesanato, enfim, tem um potencial realmente imenso. E não seria um foco exclusivamente para as populações indígenas. Está situado numa cidade com baixa oferta de equipamentos culturais, que é Marechal Thaumaturgo, com uma população jovem significativa que não tem oferta de lazer e cultura a partir dos seus equipamentos urbanos, então cria uma situação inusitada que é uma associação indígena que se aproxima de um centro de população branca, mas que pode estar sendo ofertante desses equipamentos e atividades culturais inclusive que pode pressupor um plano anual, um centro cultural dinâmico, com programação dinâmica ativa, atualizada. Já coloquei a disposição o programa que é a Programadora Brasil. No próprio site do Ministério (www.cultura.gov.br) é possível encontrar todas as formas de apoio financeiro ou de infra-estrutura que se pode oferecer para esse tipo de iniciativa, para realizar exibições em cine clube, em praças públicas para difundir essa produção áudio visual brasileira.

Rede - E como foi a sua experiência, pessoalmente?

Nascimento - Foi fantástica, nunca tinha tido essa experiência de estar realmente convivendo... esse conviver é no sentindo mais pleno mesmo, foi uma acolhida surpreendente, um povo extremamente hospitaleiro que sabe receber, que recebe de coração aberto, com portas abertas em todas as suas casas , enfim houve uma mobilização de comunidade para nos acolher, nos receber, nos deixar á vontade pra transitar e conversar com todas as pessoas. O Ministério já vem desde o ano passado identificando a necessidade de colocar a região norte do país como sendo uma região prioritária para a destinação das suas ações e está fazendo esforços para se aproximar dessa região, dos administradores e gestores locais.

* Stefania Fernandes, Rede Povos da Floresta, 05/03/2008

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